02 junho 2013

Capítulo 16


ESCRITO POR: MAYRA BORGES


Fiquei de costas para o monitor coloquei meu cabelo para frente deixando a mostra minhas costas largas e a pele clara.  Coloquei as mãos na cintura e fui até o short jeans, desabotoei e soltei o zíper, olhei por cima do ombro, ele estava vidrado e havia um sorriso indecifrável naqueles lábios finos e bem desenhados. Senti um arrepio percorrer meu corpo, como eu queria sentir aqueles lábios nos meus, aquelas mãos ásperas passeando por minhas costas, afagando meu rosto, segurando firme a minha cintura... Pisquei para ele e continuei o que estava fazendo, as palavras eram absolutamente desnecessárias. Um turbilhão de pensamentos me sacudia por dentro me impedindo de raciocinar bem, mas uma força me impulsionava a agir devagar e eu fui. Virei para o computador e digitei apressada:
- O que quer que eu faça?
- Que continue, que sinta-se a vontade, apenas isso. Vá até onde quer ir, não temos pressa.
Assenti com um aceno breve de cabeça. Minhas mãos tremeram, e pela primeira vez senti-me dividida e precisei respirar fundo, eu não estava a vontade o suficiente, havia uma tensão que prendia meus movimentos e sabia que não soaria nada natural continuar a me despir.
                - Acho que estou indo um pouco longe demais._disse finalmente, estava me sentindo um tanto frustrada.
                - Está tudo bem?
                -Está, mas você me entende se eu não puder?
Ele sorriu quase sem graça o que me desconcertou, cruzei os braços frente ao corpo instintivamente e ele disse:
                -Desculpe, acho que fui um pouco longe demais.
                -Não é culpa sua, mas acho que preciso de um pouco mais de tempo.
                -Está arrependida?
                -Não, mas confesso que preciso de um pouco mais de tempo.
                -Ok.
De repente milhões de perguntas atravessaram a minha mente, como se eu tivesse finalmente saído de um momento de inconsciência direto para a superfície da razão, estava tonta. Estava ficando louca? Meu corpo estava tenso, mas havia em mim um desejo, que reclamava por não ser atendido, embarquei em minhas confusões. E agora, como prosseguir?

 CONTINUA...

VISITE MEU OUTRO BLOG: ERA OUTRA VEZ AMOR. 

26 maio 2013

Capítulo 15


ESCRITO POR: MAYRA BORGES


Senti a malícia em mim, nos meus gestos lentos, nos meus quadris movimentando-se sutilmente, no meu sorriso descarado, no meu olhar faminto, na minha ânsia desmedida, e então por aquele momento eu sabia que meu corpo era prazer fotografado por olhos sedentos, desejado a mil por aquelas mãos, por aquela boca, por aquele corpo que reagia a mim, em arrepios e excitação. Pernas, braços, lábios e línguas a se misturar em pensamentos.
            Voltei a descer a blusa devagar, soltei os cabelos e sorri.
            -Queria poder te tocar.
            -Eu adoraria colocar minhas mãos em você, garota.
Suspirei, um sonho indecente.  
            -Percebo seus suspiros, palpitações, continue, você fica tão bem à vontade, queria estar perto.
Ele tinha um quê de afoito no jeito, a tempestade agitou-se dentro de mim, eu queria fazê-lo sentir-me a todo custo, da forma que fosse possível. Puxei a blusa para cima ao poucos, respirando fundo.
            -Às vezes tenho a impressão que você se transforma._disse ele.
            -De que forma?
            -Há delicadeza em você, uma delicadeza que transborda nas suas palavras, nos seus gestos, mas de repente ela se mistura com um quê de indecente e atroz.
            Sem dizer palavra retirei a blusa ficando apenas com um sutiã preto, mas não parei. Voltei a ficar de pé, sempre observando-o enquanto agia, ele assistia atento a minha transformação, progressiva e disposta a alcançar níveis cada vez mais elevados de luxúria. Não era uma simples lagarta transformando-se em borboleta, era uma borboleta transformando-se em algo inesperado e quase inexplicável, com asas ainda mais lindas, brancas e negras, numa mistura quente de ingenuidade e malícia.

CONTINUA... 

VISITE MEU OUTRO BLOG: ERA OUTRA VEZ AMOR. 

19 maio 2013

Capítulo 14


ESCRITO POR: MAYRA BORGES. 




Senti um frio na barriga, era um misto de nervosismo e euforia, que tinha nome e sobrenome e olhos castanhos que devoravam minha imagem na tela daquele computador.
                -Minha imagem está um pouco escura, não é?_perguntou ele.
                -Sim, um pouco, mas consigo ver bem.
                -Melhor que isso não fica.
                -Melhor, meu querido; só ao vivo.
                -Você é um pecado, sabe disso não é?
                -Esse é meu nome do meio.
                -Vivo o que leio e o que vejo.
-Eu quero viver cada letra do que escrevo pra você.
-Eu também, se possível.
-Se, essa palavra evidencia sempre dois lados, tanto liberta quanto prende.
-Então melhoremos a frase, digamos que: não é impossível.
-Melhor assim.
E rimos juntos.
                -Agora eu acredito que você não é meu amigo imaginário, está satisfeito?
                -Como não estaria?
                -Queria estar com você, é pedir demais?
                -Não, eu também queria que você estivesse aqui.
Coloquei uma mecha do cabelo atrás da orelha, abaixei a cabeça e depois fui levantando o olhar de baixo para cima, mordendo o lábio e deslizando a mão dos cabelos até o ombro.
                -Sua boca é linda.
                -Ficaria melhor colada na sua, clichê demais?
                -Clichês ás vezes são bons.
                -Eu poderia ficar aqui te olhando por um bom tempo.
                -Digo o mesmo, na verdade é o que estou fazendo agora, comendo com os olhos, outro clichê; mas se só posso ver é o que farei.
                -A gente usa o que tem.
                -Você me acha canalha?
A pergunta me pegou de surpresa, o que eu poderia dizer? Sim e não.
                -Não acho, a menos que o canalha possa ser atribuído a mim também, então sim, te acho canalha.
                -Entendo, sendo assim, posso te pedir uma coisa?
                -Peça.
                -Tira a roupa pra mim?
Antes eu não pensaria duas vezes em dizer não, mas eu havia mudado estava mais curiosa comigo mesma, estava curiosa com a expressão que se formaria naquele rosto quando visse o que tanto queria, seria um momento delicioso não poderia deixar que passasse, mas isso não me impedia de tentar brincar um pouco com a situação.
                -Convença-me!
                -O meu sorriso já não é o suficiente?
Era disso que eu gostava, qualquer outro (talvez) não seria tão seguro assim, ele sabia quem era e sabia o poder das suas armas. Se meus lábios eram labirintos o sorriso dele era um mar de águas turvas e infinitas no qual eu adoraria mergulhar até o último suspiro, adoraria me afogar naquelas águas profundas. Era mais que suficiente para me convencer de qualquer loucura.
                -Mais que suficiente.
Fiquei de pé, com movimentos lentos fui levantando a blusa até a altura dos seios, ao mesmo tempo que observava o rosto dele e a forma como ia se modificando a cada pedaço de pele que eu revelava lentamente...

CONTINUA...  


               






11 maio 2013

Capítulo 13


ESCRITO POR: MAYRA BORGES



Ele sorriu e eu pude ver aquele sorriso se formando, o movimento dos lábios, os olhos castanhos e estreitos... Fiquei observando-o sem dizer palavra, porque tinha plena certeza de que não conseguiria dizer nada por alguns minutos. Então comecei a sentir uma pequena agitação como um redemoinho, uma tempestade se formava dentro de mim e o arrepio aflorou na pele, despertando o meu lado sem juízo algum; lentamente. Ele me observava.
-Seu cabelo é lindo._disse ele.
-Obrigada.
-Consegue me ver bem?
Fiz que sim com a cabeça, ainda tinha um sorriso bobo nos lábios.
                -Se eu disser que você é muito linda, vai ficar repetitivo?
                -Não me importo com as repetições.
                -Esse teu sorriso é caminho perigoso, sinto que me perderia fácil nesse labirinto.
                -Quer dizer que meus lábios são labirintos?
                -Que atraem meus instintos mais sacanas.*
                -Teu olhar sempre distante, sempre me engana.*
Ri do encontro exato da realidade com a música, mais uma peça do acaso que encontra seu encaixe. E comecei a cantar, foi automático.
                -Estou sorrindo de você e para você, cantando ai, louca.
                -Eu não estou louca, estou apenas agindo naturalmente, você não vai querer me ver louca.
                -Quem disse que não?
Eu sorri, a blusa escorregou devagar mostrando o que eu não pretendia esconder por muito tempo.
                -Gostei do decote, essa sua blusa, menina. Confesso que o pouco já me excita o desenho dos teus lábios, seu rosto agrega inocência e erotismo, combinação perfeita. Como consegue ser tão angelical e sensual ao mesmo tempo?
                -Só posso dizer que não é de propósito.
                -Imagino que não, é natural.
Fiquei mais um tempo observando-o, a forma como passava a mão pelos cabelos úmidos, a barba por fazer... Eu queria decorar os movimentos, gravar frame a frame na memória pra nunca mais esquecer. A realidade fora daquele quarto não me interessava mais, pelo menos não naquele momento; estava focada no meu delírio, na minha falta de juízo, na minha ambição por cada capítulo, eu precisava lembrar aquele ar meio cafajeste meio – como cantou o Cazuza: maior abandonado. Algo que só tinha encontrado nele e em mais ninguém. Tinha a força certa pra me puxar pra qualquer lado, sem me merecer, meu corpo por prazer sem amor – de preferência. E como dizer não? Me rendi. 

*Refrão de Bolero - Engenheiros do Hawaii 

CONTINUA...

VISITE MEU OUTRO BLOG: ERA OUTRA VEZ AMOR

04 maio 2013

Capítulo 12


ESCRITO POR: MAYRA BORGES


Fiz a chamada como ele havia pedido, fiquei olhando a foto que substituía o vídeo que ele sempre desativava.
                -Nossa, como você é linda!
A afirmação despertou em meus lábios um sorriso tímido, coloquei o cabelo atrás da orelha, não sabia o que dizer, em outro tempo talvez fosse brincar com ele, mas naquele momento sentia uma pontada de mau humor se instalando de leve, tentei continuar a ser agradável.
                -Cadê a surpresa?
                -Só um minuto.
Comecei a enrolar uma mecha do cabelo no dedo indicador e a olhar a foto dele, como era bonito, como eu o queria, como havia se tornado alguém importante pra mim, eu não fazia ideia de como tudo havia tomado aquelas proporções, mas a vida é assim mesmo, ela sempre encontra formas de nos surpreender e eu estava deixando a onda me levar, porque sabia que estava no lugar certo e na hora certa, muito embora esses conceitos sejam muito relativos.
                -Miriam?
                -Oi.
                -Está tão quieta.
                -Estou esperando você.
                -Não precisa mais esperar.
E dessa vez o meu sorriso não foi tímido e nem sutil, ele arrebentou em meus lábios com a força que pode e afastou com tudo qualquer sentimento estranho que estivesse pairando sobre mim.
                -A espera valeu à pena._eu disse.  
Ele sorria pra mim, e eu estava boba, sorrindo de volta, sem desgrudar os olhos da tela, vi que ele também sorria de volta, e senti meu corpo estremecer com aquele sorriso e aqueles lábios curvados, a barba por fazer o cabelo ainda molhado. Os olhos pequenos e indecodificáveis.
                -Gostou da surpresa?
                -O que você acha? O meu sorriso pode responder por você.
E eu parei pra olhar, decorar os movimentos daquele que era a minha novidade preferida. 
                -Eu sabia que você ia gostar de me ver, sinto muito por ter sumido por tanto tempo, semana de provas, muito trabalho pra fazer.
                -Tudo bem, eu já te disse, querido, não precisa me dar satisfações da sua vida, só não quero que suma para sempre.
                -Não vou sumir. To com cara de sono.
                -Se com cara de sono é bonito assim, imagino se estivesse disposto.
                -E quem disse que não estou disposto, com você não tem como não sentir disposição.
                -Nossa, sua boca, esse teu sorriso, que lindo._eu estava falando e agindo como uma idiota tudo que eu queria naquele momento era tocá-lo e ser tocada, sentir aqueles dedos sob a minha pele me provocando arrepios e poder assim deixar de lado as palavras que nem de longe conseguiam expressar o que eu estava sentindo.
                -É bom poder te ver e saber como você reage a mim.
Abaixei a manga da blusa deixando meus ombros à mostra, eu precisava ver como ele agia diante de minhas sutis provocações...

                CONTINUA...
               
VISITE MEU OUTRO BLOG: ERA OUTRA VEZ AMOR.
               

27 abril 2013

Capítulo 11


ESCRITO POR: MAYRA BORGES



-Surpresa?
-Sim.
-Quer saber o que é?
-Estou curiosa e receosa ao mesmo tempo, eu não gosto de surpresas.
-Por que não gosta?
-Eu gosto de ser surpreendida, mas surpresas anunciadas me assustam.
-Está tudo bem, Miriam?

Não, nada está bem, mas você não precisa conhecer a parte estranha e avessa da minha vida, eu sou o que você imagina e não vou lhe decepcionar com relatos exaustivos acerca de olhos tristes e solidão. Pensei, mas não disse.
            -Estou sim, só um pouco cansada, semana difícil.
            -Quer conversar sobre isso, querida?
            -Não, ta tudo bem.
            -Você sabe que pode contar comigo, não é?
-Não, Vincent, eu não posso contar com você. Quando completei seis anos minha mãe disse que amigos imaginários não existem. Se eu posso ouvir a tua voz, mas não posso te ver provavelmente você é uma farsa ou fruto da minha imaginação, ou as duas coisas._foi mais forte que eu, quando dei por mim já havia digitado e apertado enter.
-Você está chateada, não está?
-A essa altura do campeonato? Não, eu não tenho o direito de me chatear com você.
-Será mesmo? O que aconteceu?
-Nada e é exatamente o nada que me chateia, entende?
-Olha, desculpa ter sumido esses dias...
-Ei, para. Ta pedindo desculpa pra mim? Você não me deve explicações Vincent, não faz sentido você vir se desculpar comigo ou me dar motivos, esse foi um trato que a gente fez, mesmo que de uma forma implícita, o que temos fica aqui e dificilmente sairá disso.
-Você está exagerando, Miriam.
-Desculpa.
-Não me peça desculpa você também. 
-Vincent?
-Oi.
-O que você tem pra mim hoje?
Ele sorriu, tenho certeza que sorriu, podia imaginar seus lábios curvando-se leve e involuntariamente em um sorriso quase ingênuo. E se eu tinha provocado-lhe o riso, como não sorrir de volta? A alegria mansa intrometeu-se em mim e bastava em si mesma.
            -Posso te ver hoje?
            -O que eu ganho em troca?
            -Desde quando você virou uma garota interesseira?
            -Desde agora.
            -Você ganha a surpresa.
            -Mas e se eu não gostar da surpresa?
A essa altura a minha curiosidade estava falando mais alto, o que será que ele tinha pra mim?
            -Eu duvido muito que você não vá gostar. Mas se não gostar poderá me pedir qualquer coisa.
            -Isso é um trato?
            -É.
            -E como vou saber que você não está cruzando os dedos?
            -Dessa forma...

CONTINUA...

Visite meu outro blog: ERA OUTRA VEZ AMOR - @_Eraoutravez

21 abril 2013

Capítulo 10

ESCRITO POR: MAYRA BORGES


Caso não se lembre a última despedida entre eu e Vincent foi selada com a promessa de que em breve eu poderia vê-lo, duas semanas se passaram sem que nos falássemos desde então. Foi assim que de repente me peguei a alimentar uma espécie de raiva contra a esperança. Eu chegava em casa do trabalho e ficava na internet esperando que ele entrasse, mas nada; e era esse esperar o nada que me nauseava. Uma tortura longa, quanto tempo mais eu teria que esperar? Essa falta de resposta me irritava. Então comecei a me repreender por pensar assim, estava apenas perdendo o meu tempo sendo tola, tudo tem sua hora e quando chega a hora é mais legal, foi assim que o Humberto Gessinger me convenceu a não pensar.
Sábado à noite, estava sozinha no apartamento.  Hora ou outra todas essas linhas não passarão de um dossiê, se é que já não o seja, a solidão documentada. Já me preocupei mais com isso, hoje eu aprecio a minha companhia e até comparo a minha solidão com uma roupa íntima, não é a mais bonita, a mais sexy, mas é quase confortável e indiscutivelmente me caí muito bem. A moça dos olhos tristes, muito prazer, essa sou eu. Talvez soe dramático, mas acontece que em certos momentos as palavras não são capazes de traduzir em exato o real das coisas e das pessoas, este é um desses casos. Não existem palavras que possam me explicar.
Sábado à noite, minhas pálpebras estavam ficando pesadas e minha cabeça procurava formas de evitar um meio conflito que havia se iniciado entre eu e meu namorado, Carlos. As coisas entre a gente não iam nada bem, à distância e a falta acabam com tanta coisa e isso doi demais, mas a gente tenta equilibrar as coisas até onde da, não é? “Até quando valer a pena.” Era isso que tilintava na minha cabeça. De um lado a briga anunciada entre eu e Carlos e do outro o silêncio de Vincent,
Sábado à noite, e insisto em tentar fugir, talvez na forjada intenção de deixar essa parte em segundo plano, em disfarçar de secundário o que é fundamental. E eu continuo me delatando, é inevitável. Eu estava em frente ao computador quando alguém me enviou uma mensagem, e eu fingi que não me importava em responder, mas ai sorri da minha tolice, se eu estava com fome porque recusar a comida?
-Oi Miriam boa noite.
-Olá, Vincent. 
-Tudo bem?
-Tudo e você?
-Tudo tranquilo.
E então aquele sorriso na fotografia, era um convite ao pecado. Eu tentei evitar, mas quando dei por mim já estava rindo, e era uma mistura de tantas coisas dentro de mim. É impossível conter uma enxurrada e naquele momento eu era toda enxurrada, de desejos, de paradoxos e de tudo que há pra ser...
                -Que bom.
                -Tenho uma surpresa pra você.

CONTINUA...

VISITE MEU OUTRO BLOG: ERA OUTRA VEZ AMOR

14 abril 2013

Capítulo 09


ESCRITO POR: MAYRA BORGES

Ao longo dessa história sinto que terei que criar reapresentações de mim, porque tenho mudado, basta o fim de um parágrafo e pronto! Já não sou mais a mesma. Por outro lado talvez, isso não seja necessário, quem lê minhas entrelinhas consegue ver essa transição sutil entre meus opostos e isso basta.
A página em branco tem me angustiado, não sei sobre o que eu devo escrever, pensei que escreveria sobre mim, mas isso tem ido além de mim e das coisas que faço, pensei que escreveria sobre meus amigos, sobre os lugares que gosto de ir e de como tenho me sentido, falar sobre a solidão que me acompanha calma e serena pensei que escreveria todas as histórias que acontecem em paralelo a minha, mas não, a história tem se resumido a um ponto específico. A narrativa tem deixado de lado todas as muitas histórias paralelas a esta, para se concentrar em um único lugar. Poderia contar o motivo pelo qual escrevo, é óbvio e tolo, escrevo para não esquecer, escrevo para organizar o que sinto, escrevo para perceber todas as mudanças, escrevo para tornar-me real. Leio-me nas entrelinhas também, tudo o que tenho perdido de mim, posso encontrar aqui.
Mas enquanto escrevia os parágrafos anteriores fui acometida pela urgência de certos olhos castanhos e indecisos na cor. Então chego ao ponto onde a minha história deixa de ser só minha para acolher outra. Vincent, receio nunca tê-lo apresentado a vocês de uma forma mais consistente e agora apresentá-lo torna-se minha urgência. Minha intenção também é torná-lo real, não que já não o seja, torná-lo real e eterno, pra mim. Perdoem a confusão das palavras.
O que o mistério pode definir e encerrar? Infinitas possibilidades que cabem na palavra: tudo. Na superfície, uma pele branca, cabelos lisos, escuros e quase na altura dos ombros, olhos em indeciso tom castanho, sobrancelhas grossas, lábios bem marcados pelas covinhas que o sorriso provoca. Ele tem em si qualquer coisa de buraco negro, suga-me para si sem qualquer ou mínima recompensa. E eu entrego-me pelo prazer de me dar. Quanto à profundidade dos olhos, parecem carregar em si mundos inteiros, olhos impenetráveis. Talvez seja pela distância, mas a impressão que tenho é a de que poderia fitá-lo por horas a fio e não descobrir nada. Talvez seja só a distância, talvez ele seja blindado, talvez eu seja míope ou talvez eu esteja me enganando. Gosto do sorriso é despudorado, mas também é infantil, simples, bonito, contagiante, malicioso, milhões de sorrisos em um só. É no sorriso que ele se revela, ou assim eu penso que seja.
Talvez eu devesse falar mais, mas é preciso que o conheçam pelas entrelinhas de suas próprias palavras. Sei que ainda é pouco, que é vago, mas pensando bem, o vago é tudo que eu tenho.

CONTINUA...

VISITE TAMBÉM: ERA OUTRA VEZ AMOR

06 abril 2013

Capítulo 08


ESCRITO POR: MAYRA BORGES


Não foi fácil dormir aquela noite, pois eu queria mais, mais dele e principalmente mais de mim. Fiquei inquieta e a excitação perdurou por um tempo, curiosidade, desejo, medo, mas eu sabia que seria necessário caminhar devagar, seria como desfrutar de um bom vinho. Um bom Sommelier sabe apreciar e decodificar a maior quantidade possível de sensações que um bom vinho pode proporcionar. A bebida dos cinco sentidos. Vincent e eu dispúnhamos de apenas dois dos sentidos o que, contudo não era bastante para impedir a semelhança entre nossa relação e um bom vinho tinto, aroma penetrante, gosto aveludado. Eu seria o vinho, deixaria que ele me conhecesse e desfrutasse lentamente, despertaria nele sensações, por isso queria que fosse naturalmente devagar. Meu corpo arrepiou-se ao pensar na taça cristalina sendo gentilmente inclinada, primeiro para notar-se a consistência e a cor, depois para aguçar o olfato e por último, a taça fina e delicada indo de encontro aos lábios de Vincent, passando pela língua e garganta, aquecendo suavemente, uma pequena gota deslizando desleixada pelo queixo e minha língua atrevida sorvendo-a.
                E então minhas mãos inquietaram-se, eu me revirei na cama, fazia calor e meu corpo estava transpirando, de repente a respiração agitou-se junto aos batimentos cardíacos. Retirei a blusa e a roupa íntima que usava, mas a tentativa de amenizar o calor só servira para atenuar o desejo por prazer. Era inevitável, a todo o momento a imagem dele perpassava minha mente, não consegui resistir e não havia motivos para. Minhas mãos acariciaram meu rosto, meus cabelos, demorando-se nos seios, macios e alvos, a mão direita escorregou lentamente pela barriga até encontrar o ponto certo, e demorou-se em carícias alternadas, lentas, rápidas, suaves e intensas demais. O rosto dele vinha até minha mente, o vinho quente... Imaginei que eram as mãos dele a percorrer meu corpo inquieto, desejei aqueles lábios de sorriso faceiro e ordinário.  A mão esquerda agitava-se junto ao corpo, segurava forte o cabelo, arranhava suavemente os ombros desnudos. Sussurrei na ilusão de que ele pudesse me ouvir: Vincent. Aquele homem, que homem!
                O quarto estava escuro, meus olhos estavam fechados e minha mente já não pensava em mais nada além do momento. Minha boca entreabriu-se a espera de um beijo que por certo era proibido e que de certo sequer aconteceria, usei os dedos nos lábios devagar provocando pequenos arrepios. A respiração sôfrega, como se me afogasse gradualmente num mar de sensações intensas, ondas invadiam-me, ondas que começaram pequenas, mas que aos poucos se tornaram maiores e mais constantes e então estremeci, os quadris que antes se movimentavam timidamente agora se contorciam. Vincent! Era um grito reprimido a míseros sussurros, como queria que ele me ouvisse e que viesse até mim. E então senti que a última onda havia de chegar e derrubar tudo o que estivesse de pé, a onda que me arrebataria e far-me-ia repousar na praia. Meu corpo inteiro vibrava ao ser invadido pelo prazer que tanto desejara ali entre lençóis e vazio, minha mão apertou com força o lençol e abafei um gemido no travesseiro. Senti o sangue ferver, senti o rubor em minha face, e então meu corpo estava satisfeito, exausto, entregue. Fechei os olhos e um sorriso displicente nasceu em meus lábios rosados. Um último pensamento pronunciou-se em minha mente  -Sim, eu serei o vinho e o que mais tiver que ser. Senti o sorriso desfazer-se e os pensamentos adormeceram. 

CONTINUA...

LEIA TAMBÉM: ERA OUTRA VEZ AMOR


01 abril 2013

Capítulo 07


ESCRITO POR: MAYRA BORGES



[...] -Quero que me veja, não consigo mais negar isso a você.

                -Sério?
                -Sim!
Luguei minha câmera e comecei a sentir as minhas mãos um tanto geladas, era loucura demais? Que fosse, não pensaria sobre isso naquele momento.
                -Nossa, me enganei.
                -Com o quê?
                -Você não tem cara de meiga não.
Sorri, mas estava um pouco nervosa, mesmo que não fosse nada demais, ainda assim sentia minhas mãos geladas. De repente me dei conta do estado do meu cabelo e fiquei ainda mais embaraçada.
                -Ignore, é a primeira vez que uso a cam.
                -Não minta, é feio.
                -Não estou mentindo._ e não estava.
                -Para, nem com seu namorado?
                -Nunca.
                -Por quê?
                -Porque ele não é tão insistente quanto você.
                -Isso eu realmente sou, mas com bom senso claro.
                -Eu gosto de pessoas insistentes._sorri levemente.
                -Eu só não gosto de parecer chato, sem noção, já te falei isso.
                -Você não é nenhuma destas coisas.
E não era, ele era a medida certa em tudo, nas conversas, nas brincadeiras, na insistência, provocações. Ele sabia como  mexer comigo, e como mexia, isso eu não nego.
                -O que eu posso afirmar é que você surte efeito em mim.
                -Quais?
                -Você me deixa inquieta, estupidamente nervosa. Me deixa com vontade de te conhecer sempre mais, devagar.
                -Sempre que nos falamos?
                -Sim sempre, desde sempre.
                -Seus lábios parecem apetitosos.
Suspirei, estava com um batom cor de rosa, um tom forte que contrastava perfeitamente com minha pele clara. Mordi os lábios devagar numa tentativa de provocá-lo.
                -Cor de rosa...
               -Vem aqui pra gente se divertir, essa boca vai voltar vermelha e não rosa, fora outras partes do teu corpo.
Senti um arrepio e de repente tudo que eu mais queria era me teletransportar, queria estar com Vincent mais que qualquer outra coisa. 
                -Desde que essas marcas fiquem escondidas, por mim não há problema.
                -Não serão “danos” permanentes, fisicamente não.
               -Sei que não serão, mas farão com que me lembre de você toda vez que vê-las estampadas sobre minha pele ou até mesmo imaginar que estiveram ali, segredos tatuados temporariamente.
Senti mais uma vez meu corpo aquecendo-se e eu estava pronta para ferver, mordi os lábios mais uma vez.
                -Gosto quando faz isso.
                -Isso o quê?
                -Morder os lábios.
                -Faço isso quando alguém me deixa nervosa, no bom sentido, claro.
Eu também queria vê-lo, queria ver aquele sorriso surgindo, queria saber como reagia a mim, eu precisava.
                -Eu também quero te ver.
                -Você verá.
                -Quando?
                -Em breve, logo você poderá ver tudo o que quiser.
                -Espero que sim.
                -Estou falando a verdade.
                -Tudo bem.
Olhei a hora, estava tarde, precisava descansar.
                -Tenho que ir agora, estou cansada.
                -Eu também vou, já está tarde.               
Nos despedimos mais uma vez, eu lutaria contra o sono, mas sabia que não era assim que as coisas funcionavam, iria devagar, parecia mais gostoso assim.

CONTINUA...

VISITE TAMBÉM: ERA OUTRA VEZ AMOR

26 março 2013

Capítulo 06


ESCRITO POR: MAYRA BORGES


A noite logo passou de morna para extremamente quente. Estávamos nos revelando um ao outro, e eu me entreguei a não razão daquele momento, não quis pensar em nada e não conseguiria se tentasse tudo que eu queria era sentir e estava sentindo. Meu corpo estava inquieto, minha respiração curta demais, minhas mãos impacientes deslizavam sobre a minha pele. E continuei sentindo mais a cada provocação. Sentia-me febril, delirante, sedenta, faminta...
-Eu tenho fome de você.
-Provoque-me!
Eu queria provocar, eu queria ser provocada. Meu corpo implorava por mais, a excitação consumia qualquer resquício de sanidade existente em mim. Sem moral, sem receio, tudo ia muito além disso.
                -Você me acelera, mas não sei se é justo atribuir tudo isso a você._falei.
                -Explique.
                -Tenho feito todas as coisas que jurei nunca fazer, mas basta pensar que é você que está do outro lado e pronto, nada mais importa.
                -Tem gostado de tudo isso?
                -Bastante.
                -Do que mais gosta?
                -O que eu mais gosto é da forma como tenho me sentido, permitindo-me por em prática desejos e pensamentos. Gosto de pensar e agir como a mulher que eu sempre senti vontade de interpretar. Interpretar não, ser.
                -Algum arrependimento, medo?
                -Nenhum arrependimento. Eu não diria medo, é algo mais como um sinal de alerta, entre pular ou não de um precipício.
                -Que tipo de alerta?
                -De você ser um maníaco psicopata._neste momento não pude conter o riso._ Apenas uma brincadeira.
                -Se eu fosse talvez já teria dado alguma pista disso.
                -É, talvez. Mas e você, o que mais tem gostado nessa história toda?
               -Da amizade, cumplicidade, curiosidade. Gosto de sentir que você também gosta disso e que gosta de me provocar.
                -Faço de propósito, mas ainda assim não é algo automático.
                -Eu sei que não. 
                -Quero que me veja, não consigo mais negar isso a você...

CONTINUA...
               
                


22 março 2013

Capítulo 05


ESCRITO POR: MAYRA BORGES


Foi bom despencar precipício abaixo, mergulhar em águas desconhecidas, todo mundo precisa se desprender às vezes, a vida pede por loucuras, por mudanças. Precisamos passar por alguns caminhos para nos reconhecermos em outras histórias... E ele continuou a alucinar-me com aquelas palavras tolas, fazendo-me arder sem ao menos encostar em minha pele clara. Era evidente a sua capacidade de deixar-me sedenta.
-Eu tenho vontade de te sentir inteira.
E cada vez que ele dizia isso imaginava como seria se realmente acontecesse, a necessidade latente de senti-lo em mim, dentro de mim, saindo da linha, perdendo o controle e me levando junto nesta história secreta e inesperada.
                -Eu também tenho.
                -Completamente?
                -Sim, do começo ao fim, seu corpo inteiro, sem qualquer pudor.
Meu coração acelerado dentro do peito e a respiração fugindo do controle, um tremor interno daqueles tremores que balançam e que também queimam.
                -Preciso segurar teus cabelos, sentir seu corpo e seu ritmo.
            -Você me deixa quente, me faz arder. Coloque suas mãos sobre mim e descubra os meus caminhos, enlouqueça-me eu preciso de tudo isso.
                -Deixe-me vê-la, por favor!
Era cedo demais, era a minha imagem, e neste ponto a ideia de estar sendo enganada ou correndo algum risco me proporcionou uma breve paralisia e mais uma vez precisei de um tempo, por mais que estivesse me liberando e até mesmo sendo impulsiva eu precisava pensar.
            -Vincent, algum dia.  Preciso de intimidade e confiança, entende?
-Claro que sim, não quero parecer insistente e sem noção. Não pense que a única coisa que quero de você é vê-la sem roupa.
-Eu sei que não é só isso, acima de tudo somos amigos.
-Claro que somos. O que você deseja, até onde quer ir com tudo isso?
-Prazer, de qualquer forma, longe ou perto. E quanto até onde quero ir não estipulei nenhum limite, mas garanto ser sincera sempre e se for preciso saberei onde devo parar.
-Posso lhe assegurar o mesmo. Só mais uma coisa.
-O quê?
-Sem provas.
-Bem melhor assim.
Essa parte de destruir evidências lhe soa um tanto cafajeste? Foi um pensamento que sumiu na velocidade com a qual apareceu, sim às vezes temos que ser um pouco hipócritas a favor de um bem maior. E que seja cafajestagem, não me importa uma vez que a recíproca é verdadeira e que não nego o fato de que o diabo atrai. Esse pensamento um pouco torto me faz rir despreocupadamente e a despreocupação tem um sabor ainda maior nesta história. 

CONTINUA.